Estafa
A estafa, que me cerca os tantos dias,
Me tem ceifado toda a inspiração:
Em vez de ócio, em mil tardes vazias,
É o labor, que me droga o coração,
Qual Kafka, advogado amargurado,
— Mas escritor, feliz e arrebatado —,
A, temente, o Pai tergiversar,
Sempre algo medroso de o irar.
Mesmo agora, escrevo todo incauto,
Porquanto sacrifico o meu repouso
Pra dar à luz à voz do grão Arauto!
A razão quer o fim mui grandioso;
A emoção, o clímax e seu gozo;
E já em mim, a incerteza de que pauto...
Lucas de Lazari Dranski
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