Boemia
Dom, 7/jun/26, 13:17
Observando o nada, da sacada,
Banho-me no sol rubro e distante,
Escutando, dos carros, a toada,
Que compõe uma orquestra dissonante.
Pássaros aos ouvidos, livro à mão,
Arrasta-se, agora, essa vida,
Antes sôfrega, cheia de ação,
Doravante mais sã e bem-vivida.
O mundo jaz cruel, impetuoso:
Digere, ele, almas tão vorazes,
No seu vão mecanismo venenoso.
Mas o raiar de dias meio tenazes
Vindica, com seu toque caloroso,
O balanço dos dias mais mordazes.
Lucas de Lazari Dranski
